segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Moradores do Guará apontam problemas



Apesar de completar 60 anos de criação neste ano ainda existe muito para ser melhorado

Jean Patrik Soares

     O Distrito do Guará está localizado aproximadamente a 25 km do município de Guarapuava, às margens da rodovia BR 277. Liga Guarapuava ao município de Inácio Martins por uma precária estrada de chão. Foi criado em 13 de novembro de 1951, pela lei estadual número 790, a partir da qual também foram criados os distritos de Cantagalo, Marquinho e Goioxim, que atualmente são municípios. Conforme dados do IBGE, o censo de 2000 registrou 3272 habitantes, sendo que apenas 30% residem na área urbana. Entretanto, números extraoficiais indicam que a população já ultrapassa cinco mil habitantes, devido ao assentamento do Movimento do Sem Terras que se instalou na última década.

    O comércio é fraco, existem apenas três pequenos mercados, um restaurante e lanchonete de grande porte, que acolhe viajantes que passam pela rodovia, uma única loja, com lan house, e alguns bares. Não há agência de correios, bancária, farmácia e nem mesmo lotérica. “Tudo o que precisamos fazer temos de ir para Guarapuava”, explica o jovem vendedor Rogério Soares, 25, que trabalha com seu pai, Dejair Soares, vendendo frutas e pinhão na beira da rodovia. O trabalho é árduo, para conseguirem se manter, pai e filho trabalham todos os dias da semana, sem folga, iniciam cedo, às 6 horas, e lidam até às 19 horas.
Vendedor ambulante: moradores buscam renda alternativa 
     As alternativas de emprego são escassas, revela Dejair, que há seis anos trabalha na beira da rodovia e não têm perspectivas de melhora. Para ele, o Guará está completamente abandonado. “Estamos esquecidos aqui, não há investimento nenhum, os políticos só aparecem aqui em época de eleição”, afirma indignado o ambulante. Ele ainda diz enfrentar problemas junto à concessionária que administra a rodovia. “Eles falam que têm direito a trinta metros do asfalto, mas limpam apenas três metros, o resto eu tenho que limpar com o meu filho”, acrescentou o ambulante. Entretanto, o maior problema é não ter nenhuma entrada para os veículos até o seu pequeno comércio, que fica há alguns metros da rodovia. “Todo mundo que passa pela rodovia está com pressa, não tem tempo para parar, por isso me arrisco aqui perto do asfalto”, complementou Dejair.
     O setor que mais emprega na região é o madeireiro, como afirma Josiel Rosa, proprietário de uma indústria de reciclagem de casca de pinos. Ele está em Guará há quatro anos, quando abriu sua empresa que atualmente emprega 54 funcionários, e tem clientes em vários estados do Brasil. Ele também reclama da falta de investimentos na região. Afirma que seria fundamental a construção de uma estrada marginal que facilitaria o comércio e também para a população.
     Além desses, existem ainda vários problemas apontados pela população. Não há alternativas de trabalho e nem de diversão para a juventude, como revela Jéssica Taís de Lima, 16. "A quadra de futebol é o único lugar para os jovens se divertirem", conta Jéssica. Outras coisas que precisarem devem se deslocar para Guarapuava. Os moradores também reclamam da falta de uma passarela, uma vez que o fluxo de veículos é intenso na região, o que coloca em risco a vida de centenas de crianças, jovens e adultos que todos os dias precisam cruzar a rodovia para estudar ou trabalhar.