Alexandre Pessoa
A região central de Guarapuava é uma das que possui menos moradores. Isso se dá pela existência de salas comerciais, que ocupam grande parte das construções do local. Esses moradores encontram facilidades em diversas questões, como farmácias, mercados, lojas. Mas o índice de violência também é alto. Com um grande número de bares, danceterias e clubes, os moradores acabam sofrendo com o barulho.
A pedagoga Evelyne Vieira Martins morou longe do centro por vinte anos e recentemente se mudou para lá. “Morei 20 anos em um bairro muito tranquilo da cidade, passei a minha infância inteira brincando na rua e indo em armazéns da redondeza, sinto falta disso. Aqui no centro não tenho mais a tranquilidade de atravessar a rua nem silêncio durante a noite”. Diz Evelyne. Ela comenta que se mudou para o centro pela comodidade, para economizar gastos com transporte. “Você acaba economizando muito tempo na sua locomoção diária. Mas por outro lado, você encontra uma diferença muito alta no valor das coisas, como suprimentos, alimentação, mercados, panificadoras e também nos imóveis”, completa.
Praticidade e melhoria para alguns, transtornos e falta de sossego para outros, comprar ou alugar um imóvel no centro depende de um alto valor aquisitivo, já que o local é o mais valorizado da cidade. O corretor de imóveis João Ricardo Marcondes explica que aluguéis podem chegar a custar até
R$ 2 mil .”Devido a proximidade dos lugares, como lojas, lanchonetes, supermercados, faculdade, clubes, os imóveis do centro são supervalorizados com relação a outros bairros. Com o preço de alguns imóveis no centro, é muitas vezes possível comprar ou alugar um imóvel maior ou de melhor qualidade em outro bairro”. Ressalta Marcondes. Segundo o corretor, não existe no centro uma área específica de maior valorização de imóveis, o valor depende não só do lugar, mas também da qualidade e tamanho do imóvel.
O aposentado Luiz Antônio Schoroeder é morador do centro de Guarapuava há trinta anos. Diz que a população cresceu e, junto com ela, o problema de poluição das ruas. “Antigamente, as pessoas eram mais cuidadosas, respeitavam mais o lugar onde viviam”, relata Luiz Antônio. Apesar dos problemas, o aposentado não pensa em se mudar de onde mora. Segundo ele, já se acostumou com o lugar e apesar das peculiaridades, é um lugar bom de morar.